Nascido em 1958, rapidamente se tornou num ícone da música aclamado pelo mundo inteiro. Último concerto em Portugal data de 2013, espetáculo que só se tornou público três dias antes de acontecer
Nascido em 1958, rapidamente se tornou num ícone da música aclamado pelo mundo inteiro. Último concerto em Portugal data de 2013, espetáculo que só se tornou público três dias antes de acontecer

Prince Rogers Nelson, nascido a 7 de junho de 1958 em Minneapolis, Minnesota, morreu esta quinta-feira em Chanhassen, Minnesota. O cantor norte-americano, que era conhecido apenas pelo seu primeiro nome e foi considerado um ícone na música pop por mais de três décadas, morreu enquanto se encontrava em digressão do último álbum e a gravar o próximo.

Filho de Mattie Shaw e de John Nelson, que tinha a sua própria banda, a Prince Rogers Jazz Trio, o cantor cedo começou a dar cartas na música. Com apenas sete anos, Prince – que ficou conhecido com temas como “Purple Rain”, “Kiss” ou “Cream” – escreveu a sua primeira canção e 12 anos mais tarde lançou-se na carreira de cantor a solo. Antes disso, chegou a gravar algumas músicas para a banda dos primos, 94 East.

No entanto, nem sempre a vida foi fácil para a família do cantor, apesar da mesma se saber pouco. Segundo a revista NME, quando se iniciou no mundo da música, Prince tinha tão pouco dinheiro que chegava a ficar fora do McDonalds, em Minneapolis, apenas para cheirar a comida.

Também no campo dos relacionamentos amorosos, Prince não foi bem sucedido. Nos anos 80 namorou com Sheila Escovedo, Vanity, Apollonia Kotero – com quem contracenou em “Purple Rain” -, Kim Basinger e Carmen Electra. Antes de se casar pela primeira vez, o cantor namorou ainda com Heidi Mark e Nona Gaye. Iniciou depois um romance com Mayte Garcia, sua corista, com quem casou em 1996 em Minneapolis. O casal foi pai de um menino, Boy Gregory, que morreu uma semana após o parto devido a uma deficiência rara no crânio. Em 1998, Mayte Garcia e Prince separaram-se e o casamento foi anulado.

Já em 2001, Prince casou-se com Manuela Testolini, que conheceu enquanto esta trabalhava numa das suas associações de solidariedade. No entanto, o casamento viria a terminar em 2006, “contra a vontade do cantor”, segundo conta a People.

Prince com Manuela Testolini 

Refeito do coração partido, Prince namorou ainda com Bria Valente em 2007, a última relação pública. Recentemente, o cantor chegou a ser associado a Misty Copeland.

Uma carreia sem igual

Antes de chegar ao estrelato, o músico gravou várias demos sem sucesso antes de chegar ao álbum “For You” em 1978. No entanto, foi apenas com o álbum “Prince” que o artista entrou no Bilboard 200, muito graças ao sucesso das músicas “Why You Wanna Treat Me So Bad?” e “I Wanna Be Your Lover”.

Os três álbuns seguintes – Dirty Mind (1980), Controversy (1981) e 1999 (1982) – transformaram Prince num cantor aclamado pelas massas, reconhecido pelas suas letras atrevidas e de cariz sexual.

Em 1984, lança Purple Rain, que serviu de banda sonora para a sua estreia na sétima arte.

Responsável pela maioria das letras das suas canções, Prince chegou mesmo a escrever temas e até a produzir música para outros artistas, tudo sob pseudónimos.

7 Grammys e um concerto surpresa

Em 2004, após vários anos afastado do seu registo habitual, Prince regressa em grande ao subir ao palco nos Grammys ao lado de Beyoncé e ao ficar em 27º na lista dos 100 Melhores Artistas de Sempre da revista Rolling Stone. Nesse mesmo ano, lança o álbum “Musicology”, com o qual vence dois Grammys e faz aquela que foi aclamada como a melhor digressão dos EUA.

Segue-se o álbum “3121”, em 2006, ano em que escreve e dá voz à música “Song of the Heart” para o filme “Happy Feet”, com a qual vence o Globo de Ouro de Melhor Canção Original.

Ao longo da sua carreira, Prince ganhou sete Grammys, um Globo de Ouro, um Óscar e lançou 15 álbuns, incluindo o último – HITnRUN Phase One – que foi divulgado em exclusivo no Tidal em setembro de 2015, antes de ser lançado em CD uma semana depois.

Apesar de ter lançado o seu último álbum num serviço de streaming, a sua relação com as novas tecnologias nem sempre foi a melhor e, em 2015, chegou mesmo a mandar retirar do Tidal todas as suas músicas. Meses mais tarde, voltou atrás na decisão e regressou ao streaming.

Veja também: As melhores músicas de Prince

Também a sua presença nas redes sociais não foi pacífica e, depois de ter criticado a internet, em 2010, e de ter apagado as contas do Facebook e do Twitter, o cantor aderiu ao Instagram em outubro de 2015.

O conceituado cantor atuou pela primeira vez em Portugal no antigo Estádio José Alvalade, em Lisboa, em 1993, e regressou para um concerto no Pavilhão Atlântico, também na capital, em 1998, seguido pelo espetáculo no Meco, em 2010, onde surpreendeu a subir ao palco durante um concerto de Ana Moura. O seu último concerto em terras lusas data de 2013 e aconteceu, de surpresa, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

A amizade entre Ana Moura e Prince foi sempre vista como algo muito especial pela fadista. Em entrevista à Blitz, em 2012, Ana Moura confessou que, quando ouvia o músico a tocar piano ou um solo de guitarra, pensava “que privilégio, que honra isto ter-me acontecido a mim”.

Lembro-me de ter lido que ele tinha convidado a Amy Winehouse, de quem eu gostava imenso, para passar o Natal com ele; queria ajudá-la. Pensei para mim mesma que, se calhar, aquilo me poderia ter acontecido a mim se tivesse nascido noutro sítio que não Portugal (risos). Um ano depois, contactou-me”. 

Pouco depois de ser conhecida a morte do artista, Ana Moura alterou a sua foto de perfil e de capa na sua página oficial do Facebook para imagens a negro, numa clara mensagem de luto pela morte do amigo.

Fonte: tvi24